domingo, 2 de setembro de 2007

Conformismo

O que mais admiro nos moçambicanos pobres é o conformismo.
Com pouco se contentam, sem raivas, nem revoltas, nem ódios.
Serenos, sempre serenos e pacíficos.
E, para além disso, habita neles uma humildade que toca.
Podem viver, paredes meias, com a ostentação e a riqueza, podem sentir que o desperdício de alguns faria a sua felicidade, podem, mesmo, entender que são os eternos esquecidos do poder, mas as três bananas, colocadas num papel colorido à sombra de um cajueiro e que esperam comprador, alimentam-lhe a esperança de que hão-de vir dias melhores.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Arquivo Morto:Directivas Para As Escolas (II)

Continuando a transcrever o documento em análise:

IV - O Aluno
"1. Devem os professores, funcionários e todas as estruturas de Direcção da Escola assumir que o aluno é um cidadão a quem deve ser prestado amor, carinho e atenção pois se trata de uma personalidade em formação. É por isso que a tarefa da escola é formar e educar. Ao transmitirmos conhecimentos políticos, científicos e técnicos damos os instrumentos que permitam ao aluno ter uma concepção e visão científica e materialista do mundo, assumir novos valores, métodos, hábitos e comportamentos.
Isto não surge ao acaso, é produto dum trabalho consciente e sistemático no qual o aluno deve participar conscientemente. Por isso os deveres e direitos contidos no Regulamento-Tipo constituem pontos de referência de base para a correcção das atitudes e comportamentos errados e a essência para que a escola realize a sua função social.

2. Deve ser preocupação de todos acompamhar os avanços e dificuldades de cada aluno, as causas de certos comportamentos a fim de se valorizarem os aspectos positivos e organizar o combate contra as fontes de indisciplina, desleixo, desinteresse, falta de delicadeza e civismo, descortesia.
Neste combate, tem papel decisivo o corpo docente e a comunidade.

3. É por isso necessário acompanhar a vida do aluno, conhecer o seu ambiente familiar, as suas dificuldades e esforços e estabelecer um contacto directo, sempre que possível, com os pais e encarregados de educação. Não é possível em certos casos o Director ou o professor visitar a casa de cada aluno, porém os alunos organizados - o grupo, o chefe de Turma, o Conselho de turma podem e devem realizar esta tarefa desde que devidamente orientados.
Daqui resultarão relações sãs e íntimas entre os elementos do grupo, da turma, porque se conhecem íntima e profundamente e estaremos a estabelecer bases para o controle e combate às faltas injustificadas, desinteresses dos pais ou encarregados e outros aspectos negativos.

4. Nestas condições, a Escola terá bases para fundamentar o seu grau de exigência para cada aluno, tendo em conta a situação e possibilidades familiares"

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Arquivo Morto:Directivas Para As Escolas (I)

Num destes sábados, dei comigo a vasculhar o arquivo morto do meu gabinete e isto porque ouvi dizer que iria sair de lá, não se sabendo bem para onde.
Deu-me o coração um baque e antes de deixar partir o que não conhecia, pus-me a folhear centenas de dossiers, de folhas amareladas, carcomidas pelas traças e cheias de poeira.
Talvez a virose atípica que me reteve em casa durante oito dias ( e que me levou, por três vezes, a fazer o despiste da malária) tivesse tido origem naquela bolorenta pesquisa.
E ainda bem que o fiz: recolhi e irei conservar muitos daqueles documentos. Fazem parte da História da Educação de Moçambique e talvez um dia tenham relevante préstimo.
Deixarei, para o fim destas transcrições, a citação cronológica destes documentos.

Em "Directivas para as Escolas" do ano de 19... poder-se-à ler no capítulo reservado a "Professores":

"1. O professor educa pelo exemplo:
  • Pelo seu grau de consciência política e profissional
  • Pela competência profissional
  • Pela disciplina
  • Pelos métodos de ensino e de trabalho
  • Pela apresentação

Assim, deve apresentar-se de cabelo cortado, sempre penteado, limpo. Os professores devem apresentar-se de balalaica na aula teórica e de bata da cor adoptada para as aulas práticas. Serem pontuais, assíduos, dedicados e delicados.

2.Os professores devem constituir um grupo homogéneo em relação à metodologia, à avaliação e à exigência do cumprimento do programa, à observância do regulamento interno da escola e demais normas em vigor.

3.Todos participam nas reuniões dos grupos de disciplina e as ausências são justificadas perante o responsável que analisa se o motivo apresentado é válido ou não.

4. O liberalismo dos professores gera indisciplina e confusão no seio dos alunos. Um professor que não se prepara para dar as suas aulas, que não exige que os alunos estudem, que não exige aprumo e respeito, perde autoridade perante os alunos. Igualmente, se não estuda e não se esforça por melhorar a qualidade das suas aulas e esconde a sua ignorância pelo excesso de exigências perderá a confiança dos alunos.

5.O professor deve ter presente que na Sala de Aula, é a autoridade máxima. Representa o Director que, por sua vez, é o representante do Poder na escola.

Nunca deve esquecer que a autoridade não é antagónica à democracia. Ele é o centro principal da vida democrática da Escola, devendo criar condições para que os alunos, individualmente e em grupo, desenvolvam as suas capacidades de riação e iniciativa e para a sua participação consciente na realização dos principais objectivos e tarefas da Escola.

Cabe-lhe, por isso, exercitar o aluno na prática do poder popular democrático"

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Escola Profsssional de Abrantes


Chegam-me estas imagens da "minha" escola de Abrantes. Escurece-se-me o coração, como escurecidas estão as folhas, a terra e alguns dos sonhos que por lá semeei e que não verei realizados.
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domingo, 19 de agosto de 2007

Mariza

Aqui, nascida, aqui ouvida...

sábado, 18 de agosto de 2007

Soltar amarras e partir. Fernão Veloso, junto da Ilha de Moçambique (2006)
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Para espantar o medo !



Para espantar o medo não encontrei melhor do que (re)ver a outra face deste país e desta situação. É o pôr do sol em Fernão Veloso.

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