domingo, 2 de setembro de 2007

Escola Profissional de Malema

Bonita!
Equipada!
"Tchova xita duma !"
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"Tchova xita duma"

As Escolas Profissionais de Moçambique são, felizmente, uma realidade incontornável.
Mais de 4 000 jovens têm, nestas escolas, a possibilidade de se fazerem técnicos e cidadãos.
Desde sempre alimentei esta esperança.
E podem chover raios e coriscos, podem os dias ser de medo e de ansiedade, podem os jornais noticiar a criminalidade à solta, podem os assaltos esperarem-me nos cantos mais recônditos ou nas avenidas mais frequentadas, podem vir da Europa os mais prudentes avisos e receios, que essa Esperança não morrerá em mim.
"Tchova xita duma" é uma expressão Tsonga que significa "empurra que vai pegar".
Ao tomar contacto com "logo" da Escola Profissional de Malema, situada nos confins da Província de Nampula, para onde viagei em Abril passado e onde algumas das sementes lançadas pelo Mestre Matias Alves estavam já a germinar, apeteceu-me gritar também :"TCHOVA XITA DUMA!"
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Conformismo

O que mais admiro nos moçambicanos pobres é o conformismo.
Com pouco se contentam, sem raivas, nem revoltas, nem ódios.
Serenos, sempre serenos e pacíficos.
E, para além disso, habita neles uma humildade que toca.
Podem viver, paredes meias, com a ostentação e a riqueza, podem sentir que o desperdício de alguns faria a sua felicidade, podem, mesmo, entender que são os eternos esquecidos do poder, mas as três bananas, colocadas num papel colorido à sombra de um cajueiro e que esperam comprador, alimentam-lhe a esperança de que hão-de vir dias melhores.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Arquivo Morto:Directivas Para As Escolas (II)

Continuando a transcrever o documento em análise:

IV - O Aluno
"1. Devem os professores, funcionários e todas as estruturas de Direcção da Escola assumir que o aluno é um cidadão a quem deve ser prestado amor, carinho e atenção pois se trata de uma personalidade em formação. É por isso que a tarefa da escola é formar e educar. Ao transmitirmos conhecimentos políticos, científicos e técnicos damos os instrumentos que permitam ao aluno ter uma concepção e visão científica e materialista do mundo, assumir novos valores, métodos, hábitos e comportamentos.
Isto não surge ao acaso, é produto dum trabalho consciente e sistemático no qual o aluno deve participar conscientemente. Por isso os deveres e direitos contidos no Regulamento-Tipo constituem pontos de referência de base para a correcção das atitudes e comportamentos errados e a essência para que a escola realize a sua função social.

2. Deve ser preocupação de todos acompamhar os avanços e dificuldades de cada aluno, as causas de certos comportamentos a fim de se valorizarem os aspectos positivos e organizar o combate contra as fontes de indisciplina, desleixo, desinteresse, falta de delicadeza e civismo, descortesia.
Neste combate, tem papel decisivo o corpo docente e a comunidade.

3. É por isso necessário acompanhar a vida do aluno, conhecer o seu ambiente familiar, as suas dificuldades e esforços e estabelecer um contacto directo, sempre que possível, com os pais e encarregados de educação. Não é possível em certos casos o Director ou o professor visitar a casa de cada aluno, porém os alunos organizados - o grupo, o chefe de Turma, o Conselho de turma podem e devem realizar esta tarefa desde que devidamente orientados.
Daqui resultarão relações sãs e íntimas entre os elementos do grupo, da turma, porque se conhecem íntima e profundamente e estaremos a estabelecer bases para o controle e combate às faltas injustificadas, desinteresses dos pais ou encarregados e outros aspectos negativos.

4. Nestas condições, a Escola terá bases para fundamentar o seu grau de exigência para cada aluno, tendo em conta a situação e possibilidades familiares"

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Arquivo Morto:Directivas Para As Escolas (I)

Num destes sábados, dei comigo a vasculhar o arquivo morto do meu gabinete e isto porque ouvi dizer que iria sair de lá, não se sabendo bem para onde.
Deu-me o coração um baque e antes de deixar partir o que não conhecia, pus-me a folhear centenas de dossiers, de folhas amareladas, carcomidas pelas traças e cheias de poeira.
Talvez a virose atípica que me reteve em casa durante oito dias ( e que me levou, por três vezes, a fazer o despiste da malária) tivesse tido origem naquela bolorenta pesquisa.
E ainda bem que o fiz: recolhi e irei conservar muitos daqueles documentos. Fazem parte da História da Educação de Moçambique e talvez um dia tenham relevante préstimo.
Deixarei, para o fim destas transcrições, a citação cronológica destes documentos.

Em "Directivas para as Escolas" do ano de 19... poder-se-à ler no capítulo reservado a "Professores":

"1. O professor educa pelo exemplo:
  • Pelo seu grau de consciência política e profissional
  • Pela competência profissional
  • Pela disciplina
  • Pelos métodos de ensino e de trabalho
  • Pela apresentação

Assim, deve apresentar-se de cabelo cortado, sempre penteado, limpo. Os professores devem apresentar-se de balalaica na aula teórica e de bata da cor adoptada para as aulas práticas. Serem pontuais, assíduos, dedicados e delicados.

2.Os professores devem constituir um grupo homogéneo em relação à metodologia, à avaliação e à exigência do cumprimento do programa, à observância do regulamento interno da escola e demais normas em vigor.

3.Todos participam nas reuniões dos grupos de disciplina e as ausências são justificadas perante o responsável que analisa se o motivo apresentado é válido ou não.

4. O liberalismo dos professores gera indisciplina e confusão no seio dos alunos. Um professor que não se prepara para dar as suas aulas, que não exige que os alunos estudem, que não exige aprumo e respeito, perde autoridade perante os alunos. Igualmente, se não estuda e não se esforça por melhorar a qualidade das suas aulas e esconde a sua ignorância pelo excesso de exigências perderá a confiança dos alunos.

5.O professor deve ter presente que na Sala de Aula, é a autoridade máxima. Representa o Director que, por sua vez, é o representante do Poder na escola.

Nunca deve esquecer que a autoridade não é antagónica à democracia. Ele é o centro principal da vida democrática da Escola, devendo criar condições para que os alunos, individualmente e em grupo, desenvolvam as suas capacidades de riação e iniciativa e para a sua participação consciente na realização dos principais objectivos e tarefas da Escola.

Cabe-lhe, por isso, exercitar o aluno na prática do poder popular democrático"

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Escola Profsssional de Abrantes


Chegam-me estas imagens da "minha" escola de Abrantes. Escurece-se-me o coração, como escurecidas estão as folhas, a terra e alguns dos sonhos que por lá semeei e que não verei realizados.
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domingo, 19 de agosto de 2007

Mariza

Aqui, nascida, aqui ouvida...