À distância, vou procurando seguir o que se vai passando no Portugal adiado. E chegam-me rumores do logro que está a ser a massificação do Ensino Profissional. Parece que se está apenas a trabalhar para a estatística.
O estigma que caiu sobre o ensino profissional já vem de longe.
Os mais desfavorecidos social, económica e intelectualmente eram encaminhados para o ensino técnico-profissional: "pode ser que o rapaz dê para canalizador!" Mas, como aluno que fui do ensino técnico, mais tarde como professor e director de uma escola profissional, vi tantos "milagres" acontecerem. Tantos e tantos jovens que, marginalizados do sistema geral, foram "recuperados" e integrados, saindo das escolas a sorrirem para a vida.Mas estes "milagres" não sucediam por acaso: escolas humanizadas, onde as pessoas se tratavam pelos nomes, professores preparados, atentos e preocupados, e a "cultura da formação profissional" (direi mesmo, a "mística" da formação profissional) , operavam o que parecia impossível.
Agora duvido da eficácia desta "massificação".Porque ninguém faz omoletas sem ovos, azeite, lume, vontade e saber.
Há tempos, uma professora (Amiga e competente) de uma escola secundária onde foi imposto um curso profissional, perguntava-me, aflita, "o que era essa coisa de progressão modular e como se processava a respectiva avaliação"
O marketing político está a funcionar,(os números aparecem nos "media" numa bem orquestrada campanha) mas alguns dos dramas e rejeições que se estão a viver em muitas das escolas secundárias que agora ministram cursos profissionais não saiem para a opinião pública.
Não quero ser derrotista, mas parece-me que é, apenas e só, "o faz-de-conta para eleitor ver".
Deus queira que esteja enganado!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
Ir ao Profeta
Só sei que a minha máquina fotográfica desapareceu. A empregada, que me acompanhou às 7 horas da manhã para aproveitar a boleia e ir ao mercado, (tinha feito uma bela sardinhada e as saladas estavam em falta) lembra-se de eu descer as escadas com a maquineta na mão e de a pôr no carro, pois queria ir a Marracuene fazer umas fotos para a revista das escolas profisionais. Parei para meter combustível e para levantar dinheiro numa ATM. Entretanto deixei-a junto do mercado Janette (esposa de Eduardo Mondlane) e rumei para a Escola Profissional de S. Francisco de Assis. Ao chegar, não tinha a máquina e tive que adiar o trabalho.
Hoje tive a visita da empregada que me veio mostrar os filhos: uma menina de 22 meses e o Vasco de 7 anos. Está intrigadíssima com o desaparecimento da máquina, pois "Patrão, tenho a certeza que a levou para o carro". E deu-me a sua opinião: "Patrão, deve ir ao profeta, pois ele vai adivinhar onde está a máquina! Só custa 100 e a máquina vale muito mais!
Disse que ia pensar.
Profetas, curandeiros, bruxos, adivinhos e médicos tradicionais são uma constante por estas paragens e o grau de credibilidade que têm é muito grande. E não se pense que só a gente mais simples e humilde os procura: diz-se, por aí, que há altos dirigentes do aparelho de estado que os chamam para benzer os seus gabinetes e tirar os maus olhados.
Procurar um, é fácil. Basta ir aos anúncios dos jornais.
E não resisto a transcrever o "marKeting" que o Dr. Wachifipa - Médico Tradicional do Este de África, faz em vários jornais locais:
" Cura e resolve vários problemas, tais como:
Força no homem, diabetes, hemorróide, sorte no trabalho, tensão alta, sucesso nos negócios, impotência sexual, dá sorte a pessoas que não têm, resolve conflitos conjugais, recupera amor perdido, cura alergia, asma, paralisia, cegueira, menstruação prolongada, dores nas pernas, tuberculose, protege corpo e empresas, tira maus espíritos, devolução de bens roubados, sucesso nos exames, diminui barriga (estética) dores das mamas, dores das ancas e dores de cabeça.
Faz crescer a parte do homem que é pequena para ser grande, a qualquer medida que a pessoa quer, o comprimento e largura"
A ADSE comparticipará?
Hoje tive a visita da empregada que me veio mostrar os filhos: uma menina de 22 meses e o Vasco de 7 anos. Está intrigadíssima com o desaparecimento da máquina, pois "Patrão, tenho a certeza que a levou para o carro". E deu-me a sua opinião: "Patrão, deve ir ao profeta, pois ele vai adivinhar onde está a máquina! Só custa 100 e a máquina vale muito mais!
Disse que ia pensar.
Profetas, curandeiros, bruxos, adivinhos e médicos tradicionais são uma constante por estas paragens e o grau de credibilidade que têm é muito grande. E não se pense que só a gente mais simples e humilde os procura: diz-se, por aí, que há altos dirigentes do aparelho de estado que os chamam para benzer os seus gabinetes e tirar os maus olhados.
Procurar um, é fácil. Basta ir aos anúncios dos jornais.
E não resisto a transcrever o "marKeting" que o Dr. Wachifipa - Médico Tradicional do Este de África, faz em vários jornais locais:
" Cura e resolve vários problemas, tais como:
Força no homem, diabetes, hemorróide, sorte no trabalho, tensão alta, sucesso nos negócios, impotência sexual, dá sorte a pessoas que não têm, resolve conflitos conjugais, recupera amor perdido, cura alergia, asma, paralisia, cegueira, menstruação prolongada, dores nas pernas, tuberculose, protege corpo e empresas, tira maus espíritos, devolução de bens roubados, sucesso nos exames, diminui barriga (estética) dores das mamas, dores das ancas e dores de cabeça.
Faz crescer a parte do homem que é pequena para ser grande, a qualquer medida que a pessoa quer, o comprimento e largura"
A ADSE comparticipará?
domingo, 25 de maio de 2008
Terror na África do Sul
Tenho lido, mas agora estou a ver a quantidade de moçambicanos que retornam da África do Sul depois das indescritíveis cenas de terrorismo xenófobo que ali se têm verificado. Rostos de sofrimento, olhos sem esperança, crianças famintas, carrinhas carregadas com os poucos haveres que, na confusão, ainda conseguiram recolher ( mas há quem venha apenas com a roupa que tinha vestida no corpo). E tudo isto perante a passividade das forças de segurança da África do Sul. Impressionou-me ver aquele indivíduo de olhos raiados de ódio a dizer "pagaram-me para fazer isto". Mas quem pagou? Boa pergunta, de complexa resposta. Ou talvez não...
Tarde, muito tarde, altos responsáveis sul-africanos manifestaram a sua vergonha pelos factos acontecidos e pediram desculpas. Como se as desculpas extinguissem as chamas assassinas lançadas para os corpos humildes daqueles que, na terra do "rand", apenas queriam uma oportunidade de trabalho.
O appartheid, de facto, ainda não foi erradicado.
sábado, 17 de maio de 2008
Marginal
"Passeio dos tristes" ao sábado e ao domingo, a passagem pela marginal é obrigatória: 12 Km à beira da baía, lindo. De vez em quando uma paragem no "Costa do Sol" para um café, um pastel de nata, uma Água de Carvalhelhos, uma cigarrilha (agora forçosamente na esplanada) e uma leitura. Mas a fúria do mar está a fazer os rombos que as fotos mostram. 15 milhões de dólares serão necessários para a construção de sete molhes que irão amortecer a fúria do mar. Parece que há boa vontade dos chineses e diz-se que também dos americanos em troca dos terrenos do implodido "Four Seasons" para a construção da sua embaixada. Seja como for, preservem a marginal.
Entardecer no Índico
O Sol adormece muito rapidamente nestas paragens. Talvez pela simples razão de não deixar extasiar demasiadamente quem observa a sua despedida. Mas houve, ainda, tempo para fixar estas imagens.
Fernão Veloso, Nampula, perto da Ilha de Moçambique, 22 de Março de 2008, Sábado de Páscoa.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Cores de Nampula
Há tanta beleza por aí. E em África, habituamo-nos a vê-la nas coisas mais simples e mais naturais...
Drama
Na sistematização dos dados recolhidos pela equipa de supervisão, estou estarrecido com a quantidade de alunos órfãos de pai e de mãe. Têm 16 ou 17 anos o que significa que os pais, se estivessem vivos, teriam 35/40 anos. A situação é mesmo dramática nas províncias de Gaza e Inhambane, zona de muita emigração para as minas da África do Sul. De lá vêm os pais infectados com HIV/SIDA que propagam às próprias mulheres e, se polígamos, a todas elas. E assim ficam a crescer, sozinhos, milhares de crianças e jovens moçambicanos.
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