segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Saudosistas
Fala-se tanto em contextualização e há tanta gente que não é capaz de se contextualizar aos usos, costumes, culturas, vivências e dramas por aqui existentes.As realidades que aqui se vêem são "violências" que ferem as susceptibilidades primeiro-mundistas de muitos que gostariam de transferir para aqui, sem olhar a meios, outras formas de vida que dizem mais civilizadas! Então sim, sentir-se-iam bem! Como aquele que me referia, há dias, que Àfrica seria uma maravilha se não tivesse pretos.
Acho que não nos cumprimentaremos mais!
Inhambane
Tinha que passar pela escola de Inharrime e contactar a ESHT.
Inhambane foi o poiso. A casa habitual, a alimentação sofrível e muito sul-africanizada no "Sem Cerimónias".
Práticamente não existem outros restaurantes, o que é pena. De facto, come-se mal em Inhambane o que não se compreende dada a abundância de peixe naquelas águas tranquilas.
Uma ida ao Tofo para recordar. Mas o mar está a "comer" a costa e a ameaçar já algumas casas.
Inhambane, terra da "boa gente"!
Parece que foi Vasco da Gama quem a cognominou assim: aportando para fazer aguada, diz a história oral que as gentes locais extasiadas com o aparato das caravelas e da marinhagem os receberam com muitas honrarias e daí o cognome atribuído.
A cidade é limpa, tem alguma monumentalidade, mas as praias que a envolvem é que, realmente, a fazem conhecida e procurada. Tofo, Tofinho e Barra são paraísos de águas límpidas, areais finos, com palmeiras em moldura, onde o tempo flui e a poeira primeiro-mundista que nos atormenta é varrida para bem longe.
Chidenguele
Há sempre "Mais Moçambique" para além das picadas que, na maior parte dos casos, receamos.
Desta vez aventurei-me e procurei Chidenguele. A 60 Km a Norte de Xai-Xai, abandonei a EN 1 e procurei o Resort "Lake View". A picada era fácil e em boa hora ali pernoitei. O pôr-do-sol fascina. As instalações são óptimas. O lago dá-nos paz. A piscina, mesmo ao lado, convida.As palmeiras parece que marulham com as brisas da noite.
Hei-de voltar.
Desta vez aventurei-me e procurei Chidenguele. A 60 Km a Norte de Xai-Xai, abandonei a EN 1 e procurei o Resort "Lake View". A picada era fácil e em boa hora ali pernoitei. O pôr-do-sol fascina. As instalações são óptimas. O lago dá-nos paz. A piscina, mesmo ao lado, convida.As palmeiras parece que marulham com as brisas da noite.
Hei-de voltar.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Regresso
De regresso. Em trabalho, a acompanhar o Director Nacional do Ensino Técnico Profissional de Moçambique, que vai visitar algumas das nossas escolas profissionais, irei, também, aproveitar para abrir a "grande angular" dos olhos e me embebedar com as nossas paisagens transmontanas.
Onde a água é pura, a gente é rude e a natureza nos emoldura a alma.
Esperança
Nestes talvez venha a assentar um Moçambique diferente e de futuro. Alunos da 7ª classe, querem ir para a Escola Profissional de S. Francisco de Assis, ali ao lado. É nossa obrigação dar-lhes as oportunidades que necessitam. Pediram, apenas, esferográficas e cadernos.
Ficou a promessa de as terem. Deixaram os contactos: Patrício e Abraão. Vou falar deles à Irmã Susana.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Massificação
À distância, vou procurando seguir o que se vai passando no Portugal adiado. E chegam-me rumores do logro que está a ser a massificação do Ensino Profissional. Parece que se está apenas a trabalhar para a estatística.
O estigma que caiu sobre o ensino profissional já vem de longe.
Os mais desfavorecidos social, económica e intelectualmente eram encaminhados para o ensino técnico-profissional: "pode ser que o rapaz dê para canalizador!" Mas, como aluno que fui do ensino técnico, mais tarde como professor e director de uma escola profissional, vi tantos "milagres" acontecerem. Tantos e tantos jovens que, marginalizados do sistema geral, foram "recuperados" e integrados, saindo das escolas a sorrirem para a vida.Mas estes "milagres" não sucediam por acaso: escolas humanizadas, onde as pessoas se tratavam pelos nomes, professores preparados, atentos e preocupados, e a "cultura da formação profissional" (direi mesmo, a "mística" da formação profissional) , operavam o que parecia impossível.
Agora duvido da eficácia desta "massificação".Porque ninguém faz omoletas sem ovos, azeite, lume, vontade e saber.
Há tempos, uma professora (Amiga e competente) de uma escola secundária onde foi imposto um curso profissional, perguntava-me, aflita, "o que era essa coisa de progressão modular e como se processava a respectiva avaliação"
O marketing político está a funcionar,(os números aparecem nos "media" numa bem orquestrada campanha) mas alguns dos dramas e rejeições que se estão a viver em muitas das escolas secundárias que agora ministram cursos profissionais não saiem para a opinião pública.
Não quero ser derrotista, mas parece-me que é, apenas e só, "o faz-de-conta para eleitor ver".
Deus queira que esteja enganado!
O estigma que caiu sobre o ensino profissional já vem de longe.
Os mais desfavorecidos social, económica e intelectualmente eram encaminhados para o ensino técnico-profissional: "pode ser que o rapaz dê para canalizador!" Mas, como aluno que fui do ensino técnico, mais tarde como professor e director de uma escola profissional, vi tantos "milagres" acontecerem. Tantos e tantos jovens que, marginalizados do sistema geral, foram "recuperados" e integrados, saindo das escolas a sorrirem para a vida.Mas estes "milagres" não sucediam por acaso: escolas humanizadas, onde as pessoas se tratavam pelos nomes, professores preparados, atentos e preocupados, e a "cultura da formação profissional" (direi mesmo, a "mística" da formação profissional) , operavam o que parecia impossível.
Agora duvido da eficácia desta "massificação".Porque ninguém faz omoletas sem ovos, azeite, lume, vontade e saber.
Há tempos, uma professora (Amiga e competente) de uma escola secundária onde foi imposto um curso profissional, perguntava-me, aflita, "o que era essa coisa de progressão modular e como se processava a respectiva avaliação"
O marketing político está a funcionar,(os números aparecem nos "media" numa bem orquestrada campanha) mas alguns dos dramas e rejeições que se estão a viver em muitas das escolas secundárias que agora ministram cursos profissionais não saiem para a opinião pública.
Não quero ser derrotista, mas parece-me que é, apenas e só, "o faz-de-conta para eleitor ver".
Deus queira que esteja enganado!
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