domingo, 5 de outubro de 2008
Há dias assim
O Sol esqueceu-se de aparecer. O dia, preguiçoso, não passou de cinzento. Gotas de água, ainda envergonhadas, salpicam as ruas quase desertas. As pessoas deixam transparecer no rosto a(s) melancolia(s) da alma.
Há dias assim.
A Justiça das Crianças
Repeitando a ortografia, trancreve-se a redacção de uma criança que respondeu a um inquérito feito em Escolas Primárias sobre o tema "O que fazer a um ladrão"?
Citada por "O Domingo" a dita redacção foi publicada no Boletim Informativo nº 8 do Tribunal Supremo:
" Se essa pessoa robar e ser pegada devemos primeiro:
Li amarrar na árvore e comessarmos a li bater, depois li amarrar as mãos e as pernas e li levarmos ao mato e levarmos a faca e li cortar os dedos das mãos e ele sangrar
Levarmos o sangue e li mandar beber e li levarmos para casa e li meter no saco
Li levarmos para o rio de água salgada li mandar meter os dedinhos das pernas e das mãos
Li levarmos para casa li por cinsa e limão e depois li perguntar porque é que robas?
Se ele responder vamos li perdoar porque li maltratamos e depois vamos li convidar para a igreja para ele pedir perdão e também nós que li maltratamos vamos ajuelhar diante do Pastor e resamos
Depois li acompanhamos ao hospital li porem os dedos de pessoas que morreram, vamos colar-lhe com cola tudo".
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Macute
Em contraste com a "cidade de pedra", a "cidade de macute", na Ilha de Moçambique, aloja a maior parte da população residente.
As casas estão implantadas num nível inferior ao das ruas, ocupando as zonas escavadas que deram a pedra para construir a Fortaleza de S.Sebastião e a cidade adjacente.
Esta localização permitiu que o ciclone que atingiu a Ilha em Abril passado não tivesse destruído completamente as casas do macute. Apenas alguns telhados foram danificados.
Quando estive na Ilha, em Abril passado, dois dias após a passagem do ciclone, a população mais desfavorecida exigia chapas de zinco para reparação das coberturas danificadas pelo vento.
Perguntei, então, pelo Padre Lopes que tive oportunidade de conhecer e que era quem mais sabia da história da Ilha. Velhinho, de quase 90 anos, com a sua crónica surdez, havia regressado a Portugal. Foi então que ouvi de um catraio esta frase expontânea: "sabes, o Padre Lopes era Padre, mas boa pessoa! O Padre X (actual) é Padre mas não é boa pessoa!"
A 2 000 Km de Maputo
Disponibilidade absoluta, apesar do esforço que lhe era pedido, para ir à Escola Profissional da Ilha de Moçambique. Viagem aérea Maputo - Nampula seguida de deslocação em automóvel.
O fascínio da Ilha, "feia e bonita", património mundial. O Índico com cores fantásticas. A "cidade da pedra" e o "macute". Contrastes e história. Mistura de religiões. Convivência absoluta. Caras pintadas com "mussiru".Crianças a sorrirem e a falarem do Vasco da Gama e do Luís de Camões. Fotos, muitas fotos. Muçulmanos e muçulmanas a viverem o Ramadan e, ansiosos, à espera da festa que se segue: o "Ide".
Uma visita à escola, uma palavra aos directores, professores e aos alunos, que estavam visivelmente felizes. Uma ideia surgida: um curso específico de restauro, na área da construção civil. Há 50 anos de trabalho seguro para quem enveredar por esse curso. O tempo a passar. O regresso a Maputo, a despedida e o agradecimento.
Ficaram muitas mais-valias.A todos os níveis.
Venha mais vezes, Professor!
Obrigado, Professor
Chegou a 22, partiu a 27! Pouco tempo, mas valeu!
Uma palestra no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane.
Sala composta: Director Nacional do Ensino Técnico com os seus técnicos, professores e directores de escolas, assessora do Ministro, técnicos do PIREP e presidente da COREP, alunos da Universidade Pedagógica, Direcção do Instituto Superior D. Bosco (recém inaugurado)e representantes da Embaixada de Portugal.
Um tema: O ENSINO TÉCNICO E PROFISSIONAL COMO PARADIGMA DO DESENVOLVIMENTO PESSOAL, SOCIAL E TERRITORIAL.
Com este roteiro:
1. Algumas lições da história do ensino tecnológico e profissional na nossa história da educação:
Estigmatização social;
Qualificação da mão-de-obra;
Descontextualização social e económica;
Importação de modelos do centro (o sistema educativo mundial é quem mais ordena);
2. O ETeP em África: alguns resultados de alguns estudos:
Referências a alguns estudos internacionais.
3. Um novo paradigma de desenvolvimento pessoal e social:
Uma visão do ETeP assente em outros pressupostos;
O desenvolvimento humano de cada cidadão no centro da educação e do ETeP;
A cidadania activa e a solidariedade social no centro da educação e do ETeP;
ETeP à luz do desenvolvimento social e da regulação sociocomunitária;
As respostas concretas às pessoas concretas, o caso das Escolas Profissionais;
4. As escolas profissionais de Moçambique:
Como se forjou este caso de sucesso, que condições foram reunidas?
Em que fase estamos e que desafios temos por diante;
É possível e necessária a esperança como suporte da educação e do desenvolvimento social de Moçambique.
Unanimidade na assistência: "Uma brilhante Palestra !"
Assim se vai consolidando este edifício.
Obrigado Professor!
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