segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Utilidades
Os machopes (ou chopes) habitam principalmente as províncias de Gaza e Inhambane.
Têm o hábito de levar para casa tudo o que encontram na rua e que entendam ser de algum préstimo. Se questionados, respondem: " Sa thuma mwani si si thami sina sakana ni vhanana", o que, traduzido à letra, quer dizer: "isto tem utilidade em casa, se não tiver será brinquedo para as crianças".
Guarda o que não presta... (que as crianças daqui não sabem o que são playstations)
domingo, 5 de outubro de 2008
Há dias assim
O Sol esqueceu-se de aparecer. O dia, preguiçoso, não passou de cinzento. Gotas de água, ainda envergonhadas, salpicam as ruas quase desertas. As pessoas deixam transparecer no rosto a(s) melancolia(s) da alma.
Há dias assim.
A Justiça das Crianças
Repeitando a ortografia, trancreve-se a redacção de uma criança que respondeu a um inquérito feito em Escolas Primárias sobre o tema "O que fazer a um ladrão"?
Citada por "O Domingo" a dita redacção foi publicada no Boletim Informativo nº 8 do Tribunal Supremo:
" Se essa pessoa robar e ser pegada devemos primeiro:
Li amarrar na árvore e comessarmos a li bater, depois li amarrar as mãos e as pernas e li levarmos ao mato e levarmos a faca e li cortar os dedos das mãos e ele sangrar
Levarmos o sangue e li mandar beber e li levarmos para casa e li meter no saco
Li levarmos para o rio de água salgada li mandar meter os dedinhos das pernas e das mãos
Li levarmos para casa li por cinsa e limão e depois li perguntar porque é que robas?
Se ele responder vamos li perdoar porque li maltratamos e depois vamos li convidar para a igreja para ele pedir perdão e também nós que li maltratamos vamos ajuelhar diante do Pastor e resamos
Depois li acompanhamos ao hospital li porem os dedos de pessoas que morreram, vamos colar-lhe com cola tudo".
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Macute
Em contraste com a "cidade de pedra", a "cidade de macute", na Ilha de Moçambique, aloja a maior parte da população residente.
As casas estão implantadas num nível inferior ao das ruas, ocupando as zonas escavadas que deram a pedra para construir a Fortaleza de S.Sebastião e a cidade adjacente.
Esta localização permitiu que o ciclone que atingiu a Ilha em Abril passado não tivesse destruído completamente as casas do macute. Apenas alguns telhados foram danificados.
Quando estive na Ilha, em Abril passado, dois dias após a passagem do ciclone, a população mais desfavorecida exigia chapas de zinco para reparação das coberturas danificadas pelo vento.
Perguntei, então, pelo Padre Lopes que tive oportunidade de conhecer e que era quem mais sabia da história da Ilha. Velhinho, de quase 90 anos, com a sua crónica surdez, havia regressado a Portugal. Foi então que ouvi de um catraio esta frase expontânea: "sabes, o Padre Lopes era Padre, mas boa pessoa! O Padre X (actual) é Padre mas não é boa pessoa!"
A 2 000 Km de Maputo
Disponibilidade absoluta, apesar do esforço que lhe era pedido, para ir à Escola Profissional da Ilha de Moçambique. Viagem aérea Maputo - Nampula seguida de deslocação em automóvel.
O fascínio da Ilha, "feia e bonita", património mundial. O Índico com cores fantásticas. A "cidade da pedra" e o "macute". Contrastes e história. Mistura de religiões. Convivência absoluta. Caras pintadas com "mussiru".Crianças a sorrirem e a falarem do Vasco da Gama e do Luís de Camões. Fotos, muitas fotos. Muçulmanos e muçulmanas a viverem o Ramadan e, ansiosos, à espera da festa que se segue: o "Ide".
Uma visita à escola, uma palavra aos directores, professores e aos alunos, que estavam visivelmente felizes. Uma ideia surgida: um curso específico de restauro, na área da construção civil. Há 50 anos de trabalho seguro para quem enveredar por esse curso. O tempo a passar. O regresso a Maputo, a despedida e o agradecimento.
Ficaram muitas mais-valias.A todos os níveis.
Venha mais vezes, Professor!
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