A minha empregada tem verificado, ao longo destes anos, que travo uma má relação com louças e vidros.
De vez em quando lá vai um copo, um prato, a tampa de um bule, ou algo mais desde que seja quebrável.
Hoje, por um triz, não escaqueirei mais um copinho dos três que restam de uma colecção de seis.
- Patrão, disse-me ela, tem que passar pelo ovo.
- Não posso comer ovo todos os dias, Francina, tem colestrol e tenho que me defender.
Não percebeu. Saíu!
Pouco depois, apareceu-me com um ovo fresco dentro de uma taça e uma faca. Fiquei atónito.
- Patrão, abra as mãos.
Abri. Colocou-me o ovo entre as mãos, pondo a taça por baixo.
Pegou na faca pela lâmina e,inesperadamente, com um golpe seco, partiu o ovo, ficando eu, na concha das mãos, com uma omoleta pronta para a frigideira.
- Esfrega as mãos, Patrão.
Esfreguei. Reparei que parecia rezar.
- Já está, Patrão, nunca mais vais partir louça.
- Verdade?
- Verdade!
Que alívio! Àmanhã, para o mata-bicho, recomendei que o servisse em "Vista Alegre"!