Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

URBI ET ORBI

O Daniel já não está só.

A Filipa veio fazer-lhe companhia em 29 de Abril deste ano.

Foi comovente ouvir da boca dele, quando me viu pegar na irmã ao colo, depois de lhe pedir autorização para o fazer:

"Podes, avô, mas pega-lhe com cuidado, não a apertes muito, está bem?"

Assim são as relações de avós e netos. Puras e sinceras.

Entretanto,recordo, com saudade o azulejo pintado à mão que a minha avó Hermínia (que nome bonito para uma avó!)tinha na sala de jantar e que, de algum poeta anónimo, transcrevia a seguinte quadra:

"Eu não quero mais afectos
Do que o calor de uma brasa
E o sorriso dos meus netos
À volta da minha casa"

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Torga, Soares e a Europa

Torga é para mim o escritor de todos os momentos e para todas as circunstâncias.

Leio-o, releio-o, cito-o, decoro-o e sempre encontro nele a força do granito, a doçura das urzes, a autenticidade da natureza, a leitura permanentemente dos "nadas da vida".

Dei hoje comigo a reler e a rever a sua fotobiografia.

Não resisto:

"Coimbra, 7 de Maio de 1994

Meu caro Dr. Mário Soares:

Como lhe tinha garantido de viva voz, acabei esta noite de ler de fio a pavio as suas INTERVENÇÕES 8. E aqui estou a agradecer-lhe a gentileza da oferta do livro e a felicitá-lo por muitas páginas que nele particularmente apreciei, a começar pelas do lúcido e desassombrado prefácio. E também as que dizem respeito ao dia de Portugal e outras e outras. Você tem o pensamento ágil e a expressão fácil. É um dom dos deuses. Pena é que o seu medular optimismo doire sempre as conclusões de cada arrazoado. Refiro-me concretamente às idílicas considerações com que remata todas as referências à Europa. Eu também sou, e com desvanecimento, europeu.Mas disse um dia destes a um jornalista do Le Monde que só o era com significação se continuasse a ser plenamente português. Desculpe lembrar-lhe esta nossa velha divergência, infelizmente irremediável, que só trago à colação por descargo de consciência. Não há, nem haverá num futuro previsível, outra Europa senão esta malfadada do capitalismo insaciável e tentacular.
Um abraço do seu sempre dedicado admirador"

Há 17 anos

Domingo, 17 de Abril de 2011

Desenrascansos africanos

 


Há uns anos,largos anos já, viajando com motorista e mais colegas na Província de Tete, verifiquei que o manómetro da temperatura do carro indicava um alto grau de aquecimento do motor. Alertei para a situação, parámos, e saí para ver o motor. Do radiador, com um furo na sua parte superior, saia um ténue fio de água enferrujada e a escaldar.

O que fazer?

Prosseguir, voltar para trás?

Não havia ali, a caminho da Angónia, oficina ou mecânico que nos pudessem valer. Mas numa das bermas da estrada, corria, em valeta, uma razoável corrente água proveniente da grande chuvada que, antes, desabara naquela região.
Enchemos algumas bilhas, atestámos o radiador e fiquei, como co-piloto, encarregado de alertar para as subidas da temperatura do motor. De 20 em 20 Km, mandava parar e repetia-se o ritual do atesto.

Tinhamos mais ou menos 1 000 Km a percorrer até ao regresso, dois dias depois, à cidade de Tete. Coisa pouca...

O calor abrasava e, em dado momento, o motorista parou o carro junto de um mercado popular (dumbanengue). Pediu-me, na altura, 20 000 meticais, não me dizendo a que se destinavam. Saíu e deixou-nos num verdadeiro sauna.

Apareceu, largos minutos depois, mascando, calmamente, uma pastilha elástica.

Fiquei furioso e, à medida que o via aproximar tão tranquilamente do carro, apeteceu-me barafustar.

Foi então que o vi abrir o capot do motor.

Saí.

Não queria acreditar no que estava a ver. Da boca do motorista sairam, mascadas, as pastilhas elásticas que começaram a tapar o buraco do radiador.

Novo atesto de água. Duvidei da eficácia da reparação mas o que é certo é que depois de muitos Km em que se manteve a minha missão de controle da temperatura que, realmente, deixou de subir, acabei por, tranquilamente, adormecer até Chiritze.
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Novo Ciclo - Novos Desafios

 

 

 


Iniciou-se um processo de geminação de escolas moçambicanas e portuguesas.
Socorrendo-nos das TIC e do património comum e imaterial que é a Língua Portuguesa, vamos aproximar escolas dos dois países.Começaremos com 5 de cada lado, relativamente próximas, apenas a 11 000 Km de distância, que serão percorridos em fracções de segundo, nas auto-estradas da informação e comunicação.
De cá e de lá, há muito para ensinar/aprender, para partilhar. Há muitos conteúdos programáticos comuns que podem ser abordados “on line” e “one time”.
Há muitos materiais didácticos que, em comum, podem ser construídos.
Há macromódulos a serem trabalhados.
É o “milagre” dos alunos e professores das Escolas Mumemo ou da Ilha de Moçambique, poderem assistir a uma aula de conteúdos comuns que se está a desenrolar na Mealhada ou em Abrantes; é os alunos de Santo Tirso ou de Cister, em momentos de descontração e de lazer, poderem assistir ao festival de timbila de Quissico, oportunamente gravado pela Escola Domingos Sávio em Inharrime.
Será a troca, escola-a-escola, de alunos e professores para formações e capacitações.
“Geminar para aproximar”... eis o lema!
Novo ciclo! Novos desafios!

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Voar e crecer

 


Aí foram eles nas asas da TAP.

Vinte e dois dos vinte e quatro a quem foram atribuídas bolsas de estudo em Escolas Profissionais Portuguesas. A Judite e o Gulamo só no dia 16 poderão partir.

Estão a voar e vão crescer nas Escola Profissionais de Abrantes, Fermil de Basto, Santo Tirso, Raúl Dória, "Amar Terra Verde", ETAP, Vale do Ave, Mealhada, Gaia, CIOR e Braga.

No meu entendimento é este o mais valioso contributo que podemos dar no apoio ao Ensino Técnico de Moçambique.

É que, depois de fazerem, em Portugal, cursos de nível 3 (técnicos altamente especializados), irão ter uma formação psico-pedagógica acrescida, dando-lhes as competência adequadas para poderem vir a exercer funções de formadores.

Trabalho persistente e duro desde Maio, muito apoio - ênfase para o Consulado-geral de Portugal, em Maputo -, mas hoje a alegria de os ver partir.

E de ter a certeza que, quando regressarem, serão úteis ao país que os viu nascer.

Que bem precisa!
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Sábado, 6 de Novembro de 2010

Escola Profissional de Homoíne

 


De edifício pertencente à Missão de S. João de Deus de Homoíne onde se albergaram, no período da luta armada que desvastou o este país, os comandos das tropas da Frelimo, a Escola Profissional.

A reabilitação está em marcha.

Quem duvida que vai ficar uma escola bem bonita?

E o gosto das cores?

Quando saio do "horror" de Maputo e penetro nestas realidades, renasço.

O apoio "porta a porta" é que faz sentido.
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Vou andando por aqui

 

 

 


Trago comigo estas velhinhas.

Feiticeiras, bruxas, mulheres de mau olhado! Epítetos que apenas servem para se verem livres delas.

Afinal, "mulheres-mamanas",que são abandonadas à porta da Missão de S. José de Homoíne, ao lado da Escola Profissional.

São os familiares, normalmente filhos e noras que ali se "desfazem" de encargos e pesadelos.

A Missão construiu uma correnteza de casas, de alvenaria, onde têm abrigo. Deitam-se em esteiras ou camas, cozinham no pátio ou no alpendre, lavam a sua parca roupa, dançam e cantam para saudar este "mulungo" que se comove e quase vira as costas.

Mal falam português, mas pelos olhos fazem-se compreender.

Sei bem o que lhes faz falta na decrepitude da suas vidas: Amor!

Abençoada seja a Missão
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